quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Esquisitóide

Quando estiveste cá há um bocado
Não te consegui olhar de frente
Pareces um anjo
A tua pele faz-me chorar

Flutuas como uma pena
Num mundo lindo
Gostava de ser especial
Tu és especial comó caraças

Mas eu sou um totó, sou um esquisitóide
Que raio faço eu aqui?
Eu não pertenço aqui

Não quero saber se dói
Quero ter controlo
Quero um corpo perfeito
Quero uma alma perfeita

Eu quero que repares
Quando não estou por perto
Tu és especial comó caraças
Eu queria ser especial

Radiohead - Creep
(Tradução liberal)

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Raspas de Cobre



Há muito, muito tempo atrás, uma pequena empresa tinha um TELEX, um elemento esforçado da grande engrenagem da empresa, que representava na altura o pináculo da tecnologia e permitia um contacto quase instantâneo com os ricos clientes e simpáticos fornecedores.

Os anos passaram e o TELEX foi considerado obsoleto: era a época do Telefax ou telecópia (ou apenas fax), essa maravilha dos anos 80 que permitia enviar instantaneamente pedidos e informações em folhas A4 que eram recriadas por escribas electrónicos directamente no escritório dos ricos clientes e simpáticos fornecedores.

E como o mundo não pára, eis que chegam os loucos anos 90 e com eles o acesso à Internet, essa estranha rede de computadores à qual se acedia por modems capazes de velocidades minúsculas para os tempos actuais mas, mesmo assim importantes para o negócio da empresa.

A ligação Internet tem muitas coisas curiosas e uma delas é a forma como se comunica com todo esse mundo de computadores: Foi apenas uma evolução natural que fez com que o modem de 14.4 Kbps fosse substituído por uma linha RDIS com 64 Kbps e alguns anos mais tarde chegamos à gloriosa época do ADSL.

Por alturas do ano 2000, após percebermos que o mundo não tinha acabado conforme anunciado, dedicamo-nos a problemas mais mundanos: reclamar com a PT da qualidade das linhas, porque ouvíamos mal os ricos clientes e simpáticos fornecedores. E o nosso fornecedores de telecomunicações informou-nos logo "Fiquem descansados que por serem clientes empresariais, muito importantes para a PT Negócios, iremos dar uma solução imediata a este problema!"

Mas... a solução tardava em aparecer. À chegada de cada Inverno surgiam os problemas de ligação, os ruídos de crepitar, as chamadas caídas, o acesso ADSL que deixava de funcionar.

Pois, o problema é que o cabo anterior que já vinha dos tempos do TELEX, essa colecção de remendos de cobre e caixas de rua semi-destruídas que nos ligava à central da PT já acusava alguns problemas mesmo nos tempos do saudoso TELEX e só por uma sucessão de infelizes acontecimentos conseguiu sobreviver até 2004. Por uma também infeliz coincidência, era precisamente essa colecção de remendos que mantinha todas as comunicações da empresa, tão importantes para trocar informações com os ricos clientes e simpáticos fornecedores.

Mas tudo iria mudar em 2004: Finalmente teríamos um cabo com 10 pares (dez!) que vinha directamente do interior da central até às instalações do cliente e iria assegurar as ligações em grande velocidade e conforto.

De promessa em promessa, assistimos à chegada do cabo (dourado), esse sebastião que nos ligaria directamente à central da PT em substituição do cabo anterior que iria gozar uma merecida reforma no paraíso dos cabos de cobre do século passado.

(As "raspas de cobre" e o ponto de chegada do "cabo dourado")

Faltava apenas o "baldeamento", expressão técnica que se usa para o processo de desligar um par de fios num quadro de ligações e ligá-lo um pouco mais ao lado. Um acto singelo que não demoraria mais do que 3, talvez 5 minutos. Mas...

O ano de 2004 passou e chegou 2005 (e depois os seus irmãos). O baldeamento não ocorria. Continuaram guardadas as garrafas de champanhe que seriam usadas para celebrar a entrada nessa grande época comunicações estáveis. E todos os invernos, sem falta, os telefones falhavam, as chamadas caiam e os routers ADSL redobravam esforços para manter as comunicações a fluir.

2006 foi o ano da proposta da OPTIMUS. E o novo operador promete-nos o almejado baldeamento dos serviços. Agora sim, seriamos libertados da idade das trevas e tudo funcionaria.

Mas... afinal as coisas não correm tão bem como os delegados comerciais da OPTIMUS prometem. O baldeamento não ocorre, os problemas técnicos sucedem-se e juntam-se-lhe alguns problemas comerciais habituais em qualquer relação com a OPTIMUS.

7 anos depois, estamos em 2013. Terminamos os contractos com a OPTIMUS e mudamos todas as comunicações para a VODAFONE. Os serviços, esses continuavam a existir nas mesmas raspas de cobre que a PT insistia em usar para nos ligar à sua central.

E o inverno chegou. E com ele as falhas habituais nas ligações e o drama de ligar para o operador a reclamar de uma linha insiste em não funcionar.

A VODAFONE atende prontamente e diz "Fiquem descansados, isso é um problema da PT, mas iremos colocar aí amanhã um Kit de Intervenção para que possam continuar a trabalhar." Soube então que o Kit de Intervenção era um telemóvel que fingia ser uma linha da PT. Os nossos serviços funcionavam sem grandes problemas e a VODAFONE ia fazendo testes e insistindo que o problema seria do lado da PT enquanto a PT insistia que era do lado da VODAFONE.

A teima acaba no dia da "intervenção conjunta" quando chega uma equipa da VODAFONE e outra da PT e determina-se o que já estava mais que determinado, que  o cabo (ou o "remendo de raspas de cobre") estaria partido a 350 metros do escritório.

A PT iria agora remendar mais uma vez.

Mas... eis que o técnico da VODAFONE, com indicações expressas de não aceitar essa resposta, dá a instrução para que a PT usasse o outro cabo, o tal de 2004 que estava desemparado e sozinho, sem uso nos últimos 8 anos (sem uso, se excluirmos um circuito ADSL de 16 Mbits que foi lá instalado há uns meses e que obviamente não acusava nenhum destes problemas.)

"Baldeie-se, então!" é a ordem que se repete ao telemóvel para o colega que está na central da PT.
Eis que após 8 minutos (E 8 ANOS!) todas as comunicações voltam a funcionar e a empresa é transportada para o Século XXI.

Este momento quase que me fez vir as lágrimas aos olhos.

Esta história diz muito sobre a PT, sobre a OPTIMUS e sobre a VODAFONE.

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Logótipo "Herdade do Crespo"

Estava a terminar o ano de 2002 quando toca o telefone e pedem-me "que arranje um logótipo para a Herdade do Crespo". Tarefa simples, não fosse eu programador :)
A empresa gere um monte algures no "Alentejo profundo" e a inspiração para o logótipo partiu das cores da terra e símbolos tradicionais das actividades agrícolas. Depois de alguns esboços, eis o resultado final:


Ah... e escreve-se mesmo "Logótipo", embora "Logotipo" também seja aceite:
http://www.flip.pt/Duvidas-Linguisticas/Duvida-Linguistica.aspx?DID=854


sábado, 5 de outubro de 2013

Don't buy the JVC KD-X250-BT Radio.

A couple of months ago I bought a JVC KD-X250-BT. This turned out to be a very disappointing buy.
Although it connects with 2 phones at the same time, switching between them is a nightmare: you have to enter the menu, disconnect one and reconnect the second one. Only then you can start playing the songs from the right phone.

Entering the menu means pressing MENU for 3 seconds. And them carefully using a lousy volume knob (that always overshoots) to navigate the menus. And then you cannot turn the volume up or down before pressing RETURN for... 3 seconds. While driving.

Takes 20 seconds(!) to connect to the phone (Android or iPhone) and every time it connects to the phone it STOPS the music (it's called a Music Player, I call it a Music Stopper). Turn the engine off and on again just makes you repeat all over again: wait 20 seconds, press MENU (for play), enjoy your music. Argh...

Bluetooth is poorly implemented: pairing is cryptic to say the least, disconnects randomly and has a 3 second (!) lag on every function. Press PLAY... wait 3 seconds. Press NEXT... wait 3 seconds... Press RANDOM... wait 3 seconds...

It's a very poorly designed thing. Even JVC has better units than this one.

I've posted this review on Amazon:
http://www.amazon.com/review/RYR6CHSUHYZVY

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

ELEIÇÕES 2013 - Sobre a "vitória" do PCP em Loures

Muito se vai escrever ainda sobre as eleições autárquicas de 30 de Setembro. Quero deixar aqui a conclusão a que cheguei sobre Loures e os comunistas nos últimos 40 anos e os poucos anos de governação camarária PS.


Lembro-me de ser um jovem e ouvir o Krus Abecassis, na altura Presidente da Câmara de Lisboa a afirmar publicamente "enquanto Loures for comunista nunca terá Metropolitano". O porquê desta afirmação será analisado mais tarde mas ficou-me na altura a referência de Loures como um bastião comunista a norte de Lisboa.


Uma década mais tarde morei em Loures e percebi o significado da governação comunista: respirava-se um clima permanente de comício, tinham um enorme Pavilhão da Paz e Amizade (porque a cultura é importante para o povo) e ao mesmo tempo o maior número de barracas e construções ilegais. Notava-se claramente uma cultura de arrebanhar pobrezinhos para usar como arma de arremesso político. E a classe mais baixa votava em peso no Partido Comunista. Vitória atrás de vitória.


Chegamos a 1998 e ocorre a recuperação urbana do Parque das Nações que, à semelhança do que aconteceu meio século antes no Restelo, deixa de ser um esgoto urbano para ser tornar uma zona apetecível para viver. Isto vem desequilibrar fortemente a distribuição de classes sociais em Loures. Ironicamente, uma das zonas mais caras de Lisboa, metade do Parque das Nações, pertencia ao concelho de Loures e isso sentiu logo nas primeiras eleições. Vitória histórica do PS durante 12 anos. Perfeitamente normal. Ou alguém achava que a classe média/alta iria votar PCP? 


E eis que chegámos a 2013: o Parque das Nações, depois de uma década a reclamar por viver dividido entre dois concelhos consegue, com a reforma das freguesias, a desanexação de Loures. O resultado eleitoral vem dar a vitória à lista independente, ficando o PS em segundo lugar na nova freguesia.



(Alambique - WikiMedia)

Agora digam lá... depois de se retirar os votantes não-comunistas do Parque das Nações e de "destilar" o comunismo no Concelho de Loures, quem é que se surpreende com o aumento de mais de 25% nas votações do PCP para Loures?


A piada da democracia é que, excluindo algumas ocorrências bizarras, dá as pessoas aquilo que elas querem, por muito idiota que isso possa ser. E Loures quer mesmo ser comunista. E será comunista durante mais umas décadas valentes com os resultados esperados. Por muito idiota que isso possa ser. 




domingo, 8 de setembro de 2013

Adicionar coordenadas aos contactos no iPhone

(Este post foi construído com base em informação que encontrei em iOS Developer Library e no blog de Brag Diggs)


Experimente o leitor fazer este exercício simples. Imagine que tem um amigo que mora num local sem endereço de porta. Não precisa de ser algo no meio do mato, basta que seja um ponto numa rua/estrada sem número de polícia. Neste exemplo usarei uma casa próximo da Estrada Nacional 10, uma via que começa após o Parque das Nações, passa por Samora Correia e Setúbal antes de terminar em Cacilhas. São 144Km de estrada e é fácil de compreender que a indicação habitual "N10, 2600 Vila Franca de Xira" é inútil porque aponta para um local a 20 quilómetros do pretendido.

1) Abra o Mapas no iPhone, escolha um ponto. 
2) Mantenha o dedo no mapa até aparecer um alfinete.
3) Clique na seta que aparece e escolha "Contactos"
4) Pode agora adicionar o local a um contacto.

E tudo corre bem se a morada for algo semelhante a "Rua do Sol ao Rato, 42, Lisboa". No entanto, no caso da morada que adicionar ser algo do semelhante a "2135 Samora Correia" todo este trabalho é perfeitamente inútil e quando dali por uma semana tentar voltar ao local irá perceber que essa indicação leva-o a um ponto a 15 quilómetros de Samora Correia.

O problema é o iOS não aceitar coordenadas nas moradas e optar sempre pela morada mais próxima com resultados desastrosos na maior parte dos casos.

Então, como proceder para adicionar um local com as coordenadas 38.9035 , -8.8437 a um contacto?

Simples, coloquem no campo "Web" do contacto o seguinte texto maps:ll=q?=38.9035,-8.8437

Este texto que o iPhone interpreta como Latitude/Longitude de um ponto é um link para um URL, uma forma elaborada de dizer que podem guardar qualquer local desde que escrevam no campo "Web" do contacto maps:ll=q?= seguido das coordenadas (latitude e longitude) separadas por uma vírgula.




Existem outras variantes que podem ser usadas para forçar a escolha da aplicação de GPS pretendida.


Apple Maps:maps:ll=&q=38.9035,-8.8437 

Google Maps:comgooglemaps://?daddr=38.9035,-8.8437&directionsmode=driving


TomTom:tomtomhome:geo:action=navigateto
&lat=38.9035&long=-8.8437&name=Casa

Uma MessageBox, 20 anos depois.



Código necessário para mostrar uma MessageBox num iPhone:


UIAlertView *alert = [[UIAlertView alloc] initWithTitle:@"Titulo"
                             message:@"Objective C"
                             delegate:nil
                             cancelButtonTitle:@"Cancelar"
                             otherButtonTitles:nil];

[alert show];


Código necessário para mostrar uma MessageBox num computador em 1993:

Msgbox “Visual Basic 3”, vbOK, “Titulo”


Passámos de 20 para 133 caracteres para fazer algo simples. 
Aliás, gosto especialmente desta parte:

UIAlertView *alert = [[UIAlertView alloc] (...)

... onde dizemos que pretendemos criar um objecto do tipo UIAlertView reservando espaço para um objecto do tipo… UIAlertView. A sério Varatojo?!

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

O Índio Chupista

O Twitter tem destas coisas. Em jeito de resposta a um outro tweet em nada relacionado com isto, eis que me lembro da velha anedota do índio chupista, que aqui transcrevo na versão personalizada que surgiu no momento:



"Cuidado com o Índio Chupista, ele crava bebidas a todos!" avisava a tabuleta que o @pedroaniceto via à entrada da cidade.
Ao chegar perto do bar,  @pedroaniceto vê um índio sentado à porta e pensa para consigo "a mim não me cravas tu!"
Quando @pedroaniceto já está quase a passar pelo índio, eis que ele lhe pergunta: "... Tu é que és o Thomas?"
"Thomas? Que Thomas?" pergunta @pedroaniceto, confuso.
"PODE SER UMA CERVEJA!" responde o Índio Chupista :D

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Morra o Java, morra! Pim!



Perdi estas 3 horas a tentar que o Safari conseguisse ler um Cartão de Cidadão para me registar no www.portalviva.pt

Bela trampa, OSX incluído; 5 restarts (6, se contarem o momento que a Appstore achou oportuno actualizar algo), clicar em dmgs, setups, next, next, next, ligar milhares de excepções, instalar plugins, abrir e fechar browsers, tirar e colocar cartões, indicar explicitamente que posso correr todos os jars e mais alguns e no final...

No final ainda tinha que martelar um Codebase attribute no interior de um jar porque aquela porra funcionava bem era em Java 6. Estamos no Java 7. BASTA!

Resumindo:
OSX sucks
Gemalto CardReader sucks a bit more
Safari stinks
Java sucks BIG TIME.

E por tudo isso e por nunca ter conseguido que algo em Java funcionasse sem birras destas, peço a devida licença ao Almada Negreiros e digo*:

"Basta pum basta!!!

Uma geração que consente deixar instalar o Java é uma geração que nunca o foi. É um coio d'indigentes, d'indignos e de cegos! É uma resma de charlatães e de vendidos, e só pode parir abaixo de zero!

Abaixo a geração!

Morra o Java, morra! Pim!

Uma geração com Java a cavalo é um burro impotente!

Uma geração com Java ao leme é uma canoa em seco!

O Java é um cigano!

O Java é meio cigano!

O Java terá gramática, terá sintaxe, terá runtimes, saberá tirar tostas mistas, saberá tudo menos correr que é a única coisa que ele faz!

O Java cheira mal da boca!

Morra o Java, morra! Pim!"

* adaptado do original.

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Kickstarter: "Errámos"

(TRADUÇÃO de Kickstarter: "We were wrong")

Este post é apenas uma tradução de um texto que está perfeito em muitos níveis e por isso mesmo não deve estar disponível apenas para quem domina o inglês. Julgo que todos nós podemos aprender algo nestas palavras. O post original está aqui.






Errámos

Caros todos,


Na manhã de quarta-feira foi-nos enviado um blog post a informar sobre material perturbador encontrado no Reddit. O material ofensivo era parte de um rascunho para um "manual de sedução" que alguém estaria a preparar a publicação usando o Kickstarter.

Os posts ofenderam muitas pessoas - nós incluídos - e muitas delas pediram-nos que cancelássemos o projecto do autor. Não o fizémos.

Errámos.

Porque razão não cancelámos o projecto logo que nos foi chamada a atenção para esse material? Duas coisas influenciaram a nossa decisão: 

  • A decisão tinha de ser tomada imediatamente. Tivemos apenas duas horas desde que soubemos dos factos até que o prazo do projecto terminasse. Nunca tentámos remover um projecto tão depressa.  
  • Os nossos processos, e a nossa forma de viver no dia-a-dia, pendem fortemente para os criadores. É algo que está profundamente enraizado na nossa forma de ser. É um dever que temos para com a nossa comunidade - e com os criadores em particular - abordar essas investigações de forma metódica pois não existe margem para erro ao cancelar um projecto. Este raciocínio fez com que prestássemos demasiada atenção às arvores, sem ver a floresta.

Estes factores não desculpam a nossa decisão mas esperamos que esclareçam a forma como a tomámos.

Permitam que sejamos muito claros nisto: Conteúdos que promovam ou glorifiquem a violência contra as mulheres ou qualquer outro grupo foram sempre proibidos no Kickstarter. Se uma página de um projecto contém material ofensivo ou abusivo nós não a aprovamos. Se tivéssemos visto este material quando o projecto foi submetido no Kickstarter (não vimos), o projecto nunca teria sido aprovado. O Kickstarter está empenhado em manter uma cultura de respeito.

Em que ponto é que isto nos deixa?

Primeiro, não é possivel retirar dinheiro do projecto ou cancelar o financiamento depois do acto consumado. Quando o projecto foi financiado, o dinheiro dos apoiantes passou directamente dos apoiantes para o criador. Perdemos a nossa oportunidade.

Segundo, a página do projecto foi removida do Kickstarter. Este projecto não tem cabimento no nosso site. Por uma questão de transparência existe aqui uma cópia para arquivo.

Terceiro, iremos desde já proibir “guias de sedução" ou similares. Esse tipo de material encoraja comportamentos machistas e não vai ao encontro da nossa missão de financiar trabalhos creativos. Esse tipo de coisas simplesmente não tem lugar no Kickstarter.

Quarto, o Kickstarter irá doar 25 mil dólares a uma organização contra a violência sexual chamada RAINN. Trata-se de uma organização excelente que combate exactamente o tipo de problemas que a nossa inacção poderá ter encorajado.

Levamos o nosso papel de agentes do Kickstarter muito a sério. O Kickstarter é um dos lugares na net mais simpáticos e que mais apoia (a comunidade) e estamos empenhados em mantê-lo assim. Pedimos desculpa por ter falhado tão miseravelmente neste caso.

Obrigado,

Kickstarter


segunda-feira, 10 de junho de 2013

Assassino nas estradas: seguro contra todos os riscos.

"esta geração foi habituada a que a única consequência do acidente é uma Declaração Amigável de Acidente e nem isso sabe preencher."


Tenho para mim que desde que se adoptou o hábito dos seguros contra danos próprios (vulgo contra todos os riscos) que os acidentes de automóveis se tornaram mais vulgares e com piores consequências.

A vida insegura:

Portugal, anos 70.

Sem um seguro automóvel, era habitual conduzir-se com o receio de ter um acidente e "desgraçar a vida"; afinal estávamos a conduzir um carro que não estava pago e todo esse processo envolvia dívidas a familiares e letras que seriam reformadas. Um acidente de automóvel significava a perda irreversível de um transporte e um mergulho numa situação financeira muito desconfortável, tivesse o condutor culpa no acidente ou não.

Os primeiros seguros:

A meio dos anos 80 torna-se obrigatório o seguro automóvel.

Quem sofre um acidente sem o ter causado tem assim uma protecção legal que lhe garante que quem causou o acidente irá conseguir indemnizá-lo dos danos: vais a conduzir e levas com um tipo de frente perdido de bêbado e caso não morras o seguro dele paga o arranjo do teu carro.

Menos mal.

Entra o assassino:

Depois vieram os anos 90 e apareceu essa coisa mágica chamada "Seguro Contra Todos os Riscos" agarrado ao conceito de leasing / ALD / renting / empréstimo bancário e ao adquirir um carro a crédito torna-se obrigatório fazer um seguro que cubra a possibilidade de o próprio condutor espatifar a sua viatura. Acaba por fazer sentido: as companhias de crédito querem um mecanismo que proteja o capital que foi emprestado.

Parece tudo bem, parece uma boa ideia. Não é.

Nos 20 anos que se seguem, toda uma nova geração de condutores habitua-se ao conceito de que pode partir o carro todo contra um muro sem desgraçar a vida. O seguro "dá" um carro novo, sem consequências morais e económicas: "para o ano que vem o seguro fica mais caro" dizem e continuam a conduzir da mesma forma que fizeram até ao acidente. E até ao próximo acidente. Vítimas a lamentar? Isso não interessa nada, o seguro paga tudo.

Isto está errado a vários níveis: Existia algo de pedagógico por detrás das lágrimas de um condutor que acabou de ter um acidente. Havia uma memória que perdurava nos meses em que se pagava as prestações do arranjo do carro e isso estaria presente no próximo momento de acelerar para aquela curva que não se conhecia.

No entanto, esta geração foi habituada a que a consequência do acidente é uma Declaração Amigável de Acidente e nem isso sabe preencher.

Tenho para mim que 5-10% dos condutores conduzem bêbados e que 80% dos condutores não sente que um acidente seja algo verdadeiramente grave porque foram criados num ambiente onde sempre existiu o seguro contra todos os riscos.

Tenho para mim que o Seguro Contra Todos os Riscos mata mais nas estradas portuguesas que o álcool.

ADENDA: Não estou a falar do fenómeno de introduzir o ABS em que se reduz os acidentes nos primeiros 3 meses e depois volta tudo aos valores anteriores devido à sensação de segurança acrescida; O que estou a tentar sublinhar é a diferença de mentalidade dos meus pais como condutores para a minha geração como condutores:

Era MESMO muito mau ter um acidente nos anos 70. Era um evento que tinha um impacto brutal na economia familiar por muito pequeno que fosse o toque.

Essa consequência estava mais ou menos presente na cabeça de cada condutor. Os pais pensavam nisso antes de emprestar o carro aos filhos. Era a primeira coisa em que se pensava quando se saía do carro para ver o estrago: "Caramba, desgracei a minha vida."

... It's all about the money.

Sim, o artigo é sobre o factor que se usou para delegar/esquecer responsabilidades. O título é isco. Flame bait, probably... "Insurance doesn't kill people. People kill people."

domingo, 9 de junho de 2013

Android: a sua quota de mercado e as mentiras que se dizem.

Quem me conhece sabe que nao sou um fanboy da Apple. se falo mal do Android é porque tive um, usei vários e fartei-me de resolver problema de outros.
No marketing do Android OS apregoa-se aos quatro ventos que já conquistou 55% do mercado(!)
Reparem que quando se diz que o OS Android tem 55% de quota de mercado comparado com o iOS, estamos a considerar todos os telefones e similares que correm algo que nominalmente seria AndroidOS. Eis alguns exemplos:

O Nexus 4 (que é aceitável)

Os SonyEricsson que não prestam nem como dildo

Os meus Huawei X3 que se safam apenas por terem custado somente 49€,

O Samsung Galaxy S2 do meu cunhado que não sabia o que era DHCP(!)

Qualquer Optimus (com nome de cidade) com 16KB de memória RAM

O Samsung Galaxy Mini que só deixa instalar 4(!) aplicações

... E os "tablets" vendidos no Continente com ecrãs da Barbie, etc...

Se compararem o iOS com os 3 aparelhos que até funcionam bem porque correm uma versão do Android com menos de 1 ano, ficam com uma relação de 45% de mercado com iOS para apenas 5% de AndroidOS, nada a ver com os 55% apregoados.

E porque razão é que isso me incomoda?
... Porque depois vejo paletes de pessoas a comprar Sexus1, Plexus2 e Lixus3, telefones que não deveriam existir mas que se vendem à conta da campanha do Nexus4 ser bom.
</rant>

PS: E na realidade, não me aborrece que alguém compre um Android a achar que é um iPhone;
Fica com o Android para castigo :P

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Dói-me a cabeça.


Dói-me a cabeça uma vez por outra.


Vou ao armário dos medicamentos, escolho um Aspegic e tomo-o com um copo de água.

A dor de cabeça passa. Alguns dias depois volta.


Vou ao armário dos medicamentos, escolho um Ben-u-ron e tomo-o com um copo de água.

A dor de cabeça passa. Alguns dias depois volta.


Vou ao armário dos medicamentos, escolho um genérico e tomo-o com um copo de água.

A dor de cabeça passa. Alguns dias depois voltará.


Quando voltar vou experimentar beber apenas o copo de água.

Pode ser que a dor de cabeça passe. Pode até acontecer que não volte.


... Tenho para mim que estar desidratado deve dar dor de cabeça.