sexta-feira, 21 de junho de 2013

Kickstarter: "Errámos"

(TRADUÇÃO de Kickstarter: "We were wrong")

Este post é apenas uma tradução de um texto que está perfeito em muitos níveis e por isso mesmo não deve estar disponível apenas para quem domina o inglês. Julgo que todos nós podemos aprender algo nestas palavras. O post original está aqui.






Errámos

Caros todos,


Na manhã de quarta-feira foi-nos enviado um blog post a informar sobre material perturbador encontrado no Reddit. O material ofensivo era parte de um rascunho para um "manual de sedução" que alguém estaria a preparar a publicação usando o Kickstarter.

Os posts ofenderam muitas pessoas - nós incluídos - e muitas delas pediram-nos que cancelássemos o projecto do autor. Não o fizémos.

Errámos.

Porque razão não cancelámos o projecto logo que nos foi chamada a atenção para esse material? Duas coisas influenciaram a nossa decisão: 

  • A decisão tinha de ser tomada imediatamente. Tivemos apenas duas horas desde que soubemos dos factos até que o prazo do projecto terminasse. Nunca tentámos remover um projecto tão depressa.  
  • Os nossos processos, e a nossa forma de viver no dia-a-dia, pendem fortemente para os criadores. É algo que está profundamente enraizado na nossa forma de ser. É um dever que temos para com a nossa comunidade - e com os criadores em particular - abordar essas investigações de forma metódica pois não existe margem para erro ao cancelar um projecto. Este raciocínio fez com que prestássemos demasiada atenção às arvores, sem ver a floresta.

Estes factores não desculpam a nossa decisão mas esperamos que esclareçam a forma como a tomámos.

Permitam que sejamos muito claros nisto: Conteúdos que promovam ou glorifiquem a violência contra as mulheres ou qualquer outro grupo foram sempre proibidos no Kickstarter. Se uma página de um projecto contém material ofensivo ou abusivo nós não a aprovamos. Se tivéssemos visto este material quando o projecto foi submetido no Kickstarter (não vimos), o projecto nunca teria sido aprovado. O Kickstarter está empenhado em manter uma cultura de respeito.

Em que ponto é que isto nos deixa?

Primeiro, não é possivel retirar dinheiro do projecto ou cancelar o financiamento depois do acto consumado. Quando o projecto foi financiado, o dinheiro dos apoiantes passou directamente dos apoiantes para o criador. Perdemos a nossa oportunidade.

Segundo, a página do projecto foi removida do Kickstarter. Este projecto não tem cabimento no nosso site. Por uma questão de transparência existe aqui uma cópia para arquivo.

Terceiro, iremos desde já proibir “guias de sedução" ou similares. Esse tipo de material encoraja comportamentos machistas e não vai ao encontro da nossa missão de financiar trabalhos creativos. Esse tipo de coisas simplesmente não tem lugar no Kickstarter.

Quarto, o Kickstarter irá doar 25 mil dólares a uma organização contra a violência sexual chamada RAINN. Trata-se de uma organização excelente que combate exactamente o tipo de problemas que a nossa inacção poderá ter encorajado.

Levamos o nosso papel de agentes do Kickstarter muito a sério. O Kickstarter é um dos lugares na net mais simpáticos e que mais apoia (a comunidade) e estamos empenhados em mantê-lo assim. Pedimos desculpa por ter falhado tão miseravelmente neste caso.

Obrigado,

Kickstarter


segunda-feira, 10 de junho de 2013

Assassino nas estradas: seguro contra todos os riscos.

"esta geração foi habituada a que a única consequência do acidente é uma Declaração Amigável de Acidente e nem isso sabe preencher."


Tenho para mim que desde que se adoptou o hábito dos seguros contra danos próprios (vulgo contra todos os riscos) que os acidentes de automóveis se tornaram mais vulgares e com piores consequências.

A vida insegura:

Portugal, anos 70.

Sem um seguro automóvel, era habitual conduzir-se com o receio de ter um acidente e "desgraçar a vida"; afinal estávamos a conduzir um carro que não estava pago e todo esse processo envolvia dívidas a familiares e letras que seriam reformadas. Um acidente de automóvel significava a perda irreversível de um transporte e um mergulho numa situação financeira muito desconfortável, tivesse o condutor culpa no acidente ou não.

Os primeiros seguros:

A meio dos anos 80 torna-se obrigatório o seguro automóvel.

Quem sofre um acidente sem o ter causado tem assim uma protecção legal que lhe garante que quem causou o acidente irá conseguir indemnizá-lo dos danos: vais a conduzir e levas com um tipo de frente perdido de bêbado e caso não morras o seguro dele paga o arranjo do teu carro.

Menos mal.

Entra o assassino:

Depois vieram os anos 90 e apareceu essa coisa mágica chamada "Seguro Contra Todos os Riscos" agarrado ao conceito de leasing / ALD / renting / empréstimo bancário e ao adquirir um carro a crédito torna-se obrigatório fazer um seguro que cubra a possibilidade de o próprio condutor espatifar a sua viatura. Acaba por fazer sentido: as companhias de crédito querem um mecanismo que proteja o capital que foi emprestado.

Parece tudo bem, parece uma boa ideia. Não é.

Nos 20 anos que se seguem, toda uma nova geração de condutores habitua-se ao conceito de que pode partir o carro todo contra um muro sem desgraçar a vida. O seguro "dá" um carro novo, sem consequências morais e económicas: "para o ano que vem o seguro fica mais caro" dizem e continuam a conduzir da mesma forma que fizeram até ao acidente. E até ao próximo acidente. Vítimas a lamentar? Isso não interessa nada, o seguro paga tudo.

Isto está errado a vários níveis: Existia algo de pedagógico por detrás das lágrimas de um condutor que acabou de ter um acidente. Havia uma memória que perdurava nos meses em que se pagava as prestações do arranjo do carro e isso estaria presente no próximo momento de acelerar para aquela curva que não se conhecia.

No entanto, esta geração foi habituada a que a consequência do acidente é uma Declaração Amigável de Acidente e nem isso sabe preencher.

Tenho para mim que 5-10% dos condutores conduzem bêbados e que 80% dos condutores não sente que um acidente seja algo verdadeiramente grave porque foram criados num ambiente onde sempre existiu o seguro contra todos os riscos.

Tenho para mim que o Seguro Contra Todos os Riscos mata mais nas estradas portuguesas que o álcool.

ADENDA: Não estou a falar do fenómeno de introduzir o ABS em que se reduz os acidentes nos primeiros 3 meses e depois volta tudo aos valores anteriores devido à sensação de segurança acrescida; O que estou a tentar sublinhar é a diferença de mentalidade dos meus pais como condutores para a minha geração como condutores:

Era MESMO muito mau ter um acidente nos anos 70. Era um evento que tinha um impacto brutal na economia familiar por muito pequeno que fosse o toque.

Essa consequência estava mais ou menos presente na cabeça de cada condutor. Os pais pensavam nisso antes de emprestar o carro aos filhos. Era a primeira coisa em que se pensava quando se saía do carro para ver o estrago: "Caramba, desgracei a minha vida."

... It's all about the money.

Sim, o artigo é sobre o factor que se usou para delegar/esquecer responsabilidades. O título é isco. Flame bait, probably... "Insurance doesn't kill people. People kill people."

domingo, 9 de junho de 2013

Android: a sua quota de mercado e as mentiras que se dizem.

Quem me conhece sabe que nao sou um fanboy da Apple. se falo mal do Android é porque tive um, usei vários e fartei-me de resolver problema de outros.
No marketing do Android OS apregoa-se aos quatro ventos que já conquistou 55% do mercado(!)
Reparem que quando se diz que o OS Android tem 55% de quota de mercado comparado com o iOS, estamos a considerar todos os telefones e similares que correm algo que nominalmente seria AndroidOS. Eis alguns exemplos:

O Nexus 4 (que é aceitável)

Os SonyEricsson que não prestam nem como dildo

Os meus Huawei X3 que se safam apenas por terem custado somente 49€,

O Samsung Galaxy S2 do meu cunhado que não sabia o que era DHCP(!)

Qualquer Optimus (com nome de cidade) com 16KB de memória RAM

O Samsung Galaxy Mini que só deixa instalar 4(!) aplicações

... E os "tablets" vendidos no Continente com ecrãs da Barbie, etc...

Se compararem o iOS com os 3 aparelhos que até funcionam bem porque correm uma versão do Android com menos de 1 ano, ficam com uma relação de 45% de mercado com iOS para apenas 5% de AndroidOS, nada a ver com os 55% apregoados.

E porque razão é que isso me incomoda?
... Porque depois vejo paletes de pessoas a comprar Sexus1, Plexus2 e Lixus3, telefones que não deveriam existir mas que se vendem à conta da campanha do Nexus4 ser bom.
</rant>

PS: E na realidade, não me aborrece que alguém compre um Android a achar que é um iPhone;
Fica com o Android para castigo :P