sexta-feira, 18 de julho de 2014

5 razões para a parentalidade moderna estar em crise


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(TRADUÇÃO do artigo: "5 reasons why modern parenting is in crisis")

Este post é apenas uma tradução de um artigo publicado no Huffington Post. Porque concordo quase na globalidade com o que a Emma Jenner escreveu, acho importante partilhar com quem não domina o inglês. O artigo original está aqui.



Tradução do artigo no Huffington Post escrito por Emma Jenner.



5 razões para a parentalidade moderna estar em crise, conforme visto por uma educadora britânica.



Por norma sou uma pessoa otimista. Gosto de achar que tudo irá correr bem até prova em contrário e todos os que me conhecem sabem que não sou dada a dramas. Por isso, quando digo que a parentalidade moderna está em grandes sarilhos - diria mesmo, crise - espero que oiçam e prestem muita atenção. Trabalhei com pais e crianças em dois continentes durante duas décadas e o que assisto neste momento deixa-me alarmada. Eis, a meu ver, os maiores problemas:



1. Medo das nossas crianças.


Tenho aquilo a que chamo "o teste do copinho" em que observo uma mãe a dar um copo de leite à criança pela manhã. Se a criança diz "quero o copinho cor de rosa, não o azul!" mas a mãe já tinha colocado o leite no cor azul, observo atentamente a reação da mãe. Na maioria dos casos, a mãe para o que está a fazer e apressa-se a trocar os copos antes da criança começar uma birra. Falha! Mãe, de que tens medo? Quem é que manda aí? Deixe que a criança faça a birra e  afaste-se para não ter que a ouvir. Mas por amor de deus, não inventem mais trabalho só para agradar à criança - e mais importante, pensem na mensagem que estão a passar se lhe derem tudo o que ela quiser por que fez uma birra.



2. Baixar a fasquia.


Quando uma criança se comporta mal, seja uma birra em público ou uma atitude incorreta em privado, os pais tendem a encolher os ombros como quem diz "as crianças são assim". Acreditem, não tem de ser assim, as crianças são capazes de muito mais do que os pais tipicamente esperam delas, quer sejam bons modos, respeito pelos mais velhos, tarefas, generosidade ou auto-controle. Acham que uma criança não consegue ficar sentada durante um jantar num restaurante? Tretas. Acham que uma criança não consegue levantar os pratos da mesa sem lhe peçam isso? Mais tretas! A única razão porque elas não o fazem é porque vocês nunca lhe mostraram como o fazer e nem esperam que elas o façam! Tão simples quanto isso. Subam a fasquia e a criança estará à altura do desafio.



3. Perdemos a aldeia.


Antigamente os condutores do autocarro da escola, os professores, os funcionários das lojas e outros pais tinham permissão para pôr as crianças na ordem. Funcionavam como os olhos da mãe e do pai quando as crianças não estavam ao pé deles e todos trabalhavam para o mesmo interesse comum: criar rapazes e raparigas bem educados. Era uma aldeia que se apoiava nela mesma. Agora, quando alguém que não é pai da criança se atreve a corrigi-la os pais ficam chateados. Querem que o filho pareça perfeito e por norma não aceitam que lhes digam o contrário. Mais facilmente discutem com o professor do que disciplinam o próprio filho por se portar mal na sala de aula. Sentem uma necessidade de projectar uma imagem perfeita e infelizmente a insegurança deles é reforçada porque efectivamente os pais julgam os outros pais. Se uma criança está a fazer uma birra, todos olham para a mãe com um ar de reprovação. No entanto, ela deve ser apoiada porque muito provavelmente a birra deve-se à mãe não ter cedido a uma exigência do filho. Quem observa deveria estar a dizer "Ei, bom trabalho - eu sei que custa impor-lhes limites."



4. Recorrer a atalhos.


Acho fantástico que os pais tenham todo o tipo de dispositivos electrónicos para auxiliar durante viagens longas ou esperas prolongadas no consultório do médico. É igualmente fabuloso que possamos encomendar as mercearias pela web e aquecer comida quase saudável com apenas um toque no microondas. Os pais estão mais ocupados do que nunca e sou completamente a favor de facilitar quando é necessário. No entanto, os atalhos são um terreno cheio de armadilhas. Quando virem que o Ruca consegue distrair uma criança numa viagem longa, não sejam tentados a recorrer a isso num restaurante. As crianças continuam a ter de aprender ser pacientes. Continuam a ter de aprender a entreter-se sozinhas. Continuam a ter de aprender que a comida não vem toda quente e pronta em três minutos ou menos, e idealmente também aprenderão a ajudar a confeccioná-la. Os bebés têm que aprender a acalmar-se sozinhos em vez de serem colocados em baloiços automáticos sempre que estiverem agitados. As crianças têm de se levantar sozinhas quando caiem em vez de esticar os braços para os pais. Ensinem às crianças que os atalhos são úteis mas também que existe uma grande satisfação em fazer coisas de forma lenta.



5. Os pais colocam as necessidades das crianças antes das suas.


Biologicamente, os pais estão programados para tomar conta das crianças e isto é uma coisa boa para a evolução! Eu defendo que se adopte um horário ajustado às necessidades das crianças e a rotinas como alimentar e vestir as crianças primeiro. Mas os pais de hoje levaram isto longe de mais, prescindindo de todas as suas necessidades e saúde mental por causa das crianças. Assisto frequentemente a mães que se levantam vezes e vezes sem conta para satisfazer os caprichos das crianças. Ou a pais que largam tudo e atravessam o jardim zoológico a correr para dar uma bebida à filha porque ela tem sede. Não há mal nenhum em não ir ter com a criança quando ela quer mais um copo de água à noite. Não há mal nenhum no pai que está no jardim zoológico dizer "claro que podes beber algo, mas tens que esperar até passarmos perto da próxima fonte." Não há mal nenhum em pedir ao seu filho que se entretenha por alguns minutos porque a mamã quer privacidade na casa de banho ou até mesmo folhear uma revista.


Receio que se não começarmos a corrigir estes 5 erros graves de paternidade, estaremos a criar filhos que serão adultos egoístas e impacientes. Não será culpa deles - será nossa. Não os educámos de outra forma, nunca esperámos mais deles. Nunca quisemos que eles sentissem algum desconforto, e quando tal acontece, lamentavelmente eles não estão preparados para isso. Portanto, pais e educadores de Londres a Los Angeles e em todo o mundo, por favor exijam mais. Esperem mais. Partilhem as vossas lutas. Dêem menos. Vamos corrigir essas crianças e, juntos, prepará-los para o mundo real e não para redoma de proteção que criámos para eles.