sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Geocaching em 2014.

Hoje dou uma geocache para adopção.

O Geocaching é uma caça ao tesouro dos tempos modernos, um desporto estranho com GPS a que me dedico desde 2005. Nestes quase 9 anos não consigo apontar todas as vantagens de sair à rua e subir um monte como alternativa a ficar no sofá a vegetar em frente à televisão. Nem tão pouco consigo aqui partilhar todas as amizades que travei com colegas geocachers as quais muito prezo. Foram quase 9 anos recheados de coisas boas, de vitórias e obstáculos que se ultrapassaram. Foi um processo que me enriqueceu muito como pessoa e que não deixarei para trás porque todas as experiências que vivi fazem agora parte de mim.

Dar hoje uma geocache para adopção significa passar o testemunho a outro jogador que continuará a manter aquele ponto que faz parte de um jogo global com literalmente milhões de pontos físicos e milhões de jogadores activos. Significa também que algo mudou na nossa sociedade e que eu não pretendo de forma alguma entrar na guerra de quem opta por fazer anti-jogo, retirando regularmente os elementos do jogo do local determinado. Se gostasse de anti-jogo, assistiria ao futebol que se pratica em Portugal. E se acreditasse em coincidências, seria católico.

A geocache está num local incontornável do turismo em Lisboa e fica entregue a alguém que, como eu, gosta de desafiar os limites do habitual. Quem me conhece sabe que admiro o esforço extra que se coloca para obter um produto acima do banal e fácil, seja na música, na programação, na dança ou no design industrial. Fica bem entregue esta geocache que dou hoje para adopção.

... e o jogo segue.

Obrigado por tudo. A todos.

BaiaVieira
Geocacher.

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Vi o The Hunger Games.

Talvez com um ano de atraso em relação ao resto da Humanidade mas finalmente lá arranjei tempo para ver os Jogos da Fome. Confesso que comecei a vê-lo com alguns preconceitos, esperava mais um filme sobre uma sociedade distópica a viver mais uma guerra de escassez.


Acaba por ser uma introspecção sobre o refinado espectáculo que gostamos de assistir desde os Gladiadores, agora cruzado com o Truman Show e Casa dos Segredos, com a Teresa Guilherme a ser substituída pela dupla Elizabeth Banks / Woody Harrelson, o actor principal do “Natural Born Killers”. Este espectáculo, que começara como um castigo, uma lembrança política das consequências de uma revolta, tornou-se rapidamente num espectáculo degradante gerido com a mestria de um bom programa televisivo. E como era algo completamente contra a natureza humana só foi permitido que durasse... 75 anos.


Aplaudi a fotografia e os actores e ao mesmo tempo não consegui sacudir a estranha semelhança entre a Cornucópia no centro da Arena a Casa da Música no Porto. Aconselho a todos que o vejam pela perspectiva que nos dá de nós próprios e irei obviamente ver o terceiro e quarto filme desta trilogia mesmo sendo um argumento sem grandes surpresas: os maus são castigados e os bons recompensados. Continuar a ver porque é divertido e está feito com esforço e dedicação por pessoas cujo emprego é fazer com que as pessoas se distraiam e não pensem nos verdadeiros problemas.

... Aliás, logo no inicio apresenta-nos a pergunta mais relevante dos Jogos da Fome: "E se deixássemos de assistir?"